O capitalismo já falhou tantas vezes, por que insistem em tentar implantar versões dele? (SIC)

Um post em uma rede social com este tema chegou a minhas mãos por intermédio de uma amiga, com a qual sempre converso sobre política, história e economia. Ela me pedia para ler o texto e tecer comentários a respeito. Eis a minha resposta:

Prezado Carlos parabéns pelo texto. Não fazia ideia da complexidade dos materiais usados na produção de smartphones. As imagens também foram muito bem escolhidas e além de ajudarem a ilustrar, serviram bem para preencher as lacunas por falta de conteúdo do texto.  As suas colocações são bastante óbvias, pois não se pode viver de outra forma no sistema capitalista. 

Permita-me uma singela contribuição para  um melhor entendimento sobre Capitalismo e Socialismo.

Por volta do século XI na Europa feudal, o homem desenvolveu um de muitos instrumento de trabalho, que revolucionariam a forma de fazer agricultura. Se fazia necessário um aumento na produção de alimentos. Acredite o que move as pessoas a trabalhar não é o capitalismo e sim o estômago. É necessário primeiro estar vivo, satisfazer as necessidades da barriga, para depois desejar as coisas da fantasia. 

Esse implemento agrário chamava-se charrua; uma espécie de arado com rodas, feito de ferro, que permitia revolver a terra mais profundamente possibilitando assim melhores colheitas e maior quantidade de alimentos. 

Imagine só em 1300 e bolinha, conseguir produzir mais trigo, mais farinha e mais pão! 

Pois bem. Parte dessa produção ficava com o camponês para sua subsistência e de sua família. Uma outra parte ia para o senhor feudal e ainda o trabalhador camponês deveria pagar o dízimo, caso quisesse ter seu lugarzinho no céu ao término de sua laboriosa vida terrena.

A charrua e muitas outras ferramentas e tecnologias desenvolvidas na idade média atendiam aos propósito de aumentar a produção de bens para a população que eram produzidas e distribuídas num modo de produção feudal. Sim nobre amigo!!! Nem sempre existiu o capitalismo e mesmo assim as pessoas colaboravam entre si, com eficiência para produzir aquilo que a sociedade precisava. Esse arranjo produtivo descrito acima funcionou por cerca de 1.000 anos. Inacreditável não? A Europa vivendo, produzindo e circulando coisas durante um milênio sem o capitalismo. Como conseguiam? 

Mas daí aconteceu um fenômeno interessante: com o aumento da produção surgiu o excedente. Que fazer então com essa parte? Começou a desenvolver-se o comércio, as feiras, as manufaturas, de forma que o desenvolvimento das forças produtivas foi tamanho, que o sistema feudal não mais comportava essa potência produtiva e houve uma ruptura. Uma revolução burguesa que deu origem ao relativamente jovem (cerca de 300 anos) capitalismo selvagem que temos aqui diante dos nossos olhos. É verdade que o capitalismo era intuitivo, no sentido de inconsciente, automático, involuntário. 

É imperativo porém mencionar que o desenvolvimento das forças produtivas, dentro do próprio feudalismo, gerou essa ruptura. O gérmen de um novo modo de produção desenvolver-se no seio do seu antecessor e é impulsionado por suas contradições. Um outro ponto que merece observação é que essa transição não ocorreu da noite para o dia. Estamos falando aqui de séculos de mudanças nos quais coexistiam sistema feudal em declínio, mercantilismo em ascenção e as pessoas continuavam produzindo sem capitalismo como o conhecemos. 

Porém algo de diferente aconteceu. Um efeito colateral. Ao passo que as forças produtivas em acelerado desenvolvimento produziam super ambulância de mercadorias, a maioria das pessoas mal conseguia comer. No século XIX na Inglaterra por exemplo, era comum jornadas de trabalho de até 16 horas, de homens, mulheres e crianças. Essas famílias no entanto vivam em extrema privação e os problemas sociais se agravam a cada dia, pois embora essa massa de trabalhadores e trabalhadoras produzissem um infinidade de bens eles não tinham condições de consumi-los e quem se apropriava do excedente era apenas uma pequena fração da sociedade. Os capitalistas. Falo evidentemente de pessoas possuidoras dos meios de produção, as quais controlam todo o desenvolvimento social, não de uma pessoa que tem um IPhone e um carro financiado e se considera um “capitalista”.

As pessoas que dizem que o capitalismo não dá certo, estão equivocadas. Ele funciona muito bem, apesar de suas contradições internas como essa que mencionei anteriormente. A pergunta é: ele funciona bem para quem? 

No tocante a uma proposta socialista de produção também há falta de entendimento. Não se trata de trabalhar de graça ou por caridade. O trabalho é o mecanismo que produz toda a riqueza e o desenvolvimento das forças produtivas nos trouxe até aqui. Ele sempre continuará existindo, independente do modo de produção vigente. No entanto se essa produção será pensada por toda a sociedade e para o usufruto de todos ou continuará uma anarquia sem controle onde tudo é produzido para o mercado, com o excedente sendo acumulado por uma minoria, sem se levar em conta as reais necessidades das pessoas é a questão chave. 

Poderá esse sistema que produz a cada seis meses um novo smartphone visando lucro ao invés de produzir vacinas perdurar?

Será que ainda irá longe um modo de produção que está acabando com os recursos naturais?

Como ficará o contraste  da superprodução de mercadorias e do empobrecimento das massas?

Ao desenvolver as forças produtivas e explorá-las ao máximo, o capitalismo aumenta a sua contradição interna, cavando assim sua própria cova.

Abraço.

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